segunda-feira, 22 de abril de 2013

Capela da Sapata é destaque em jornal

O jornal O Diário publicou uma interessante reportagem sobre Igrejas peculiares no Paraná. E a Capela da Sapata, ou Capela de Nossa Senhora de Fátima foi uma das mencionadas . Vale lembrar que a Capela de Nossa Senhora de Fátima  já foi palco de muitas celebrações e festas até um tempo atrás. Confira a reportagem: 

"Hoje isoladas da população - muitas delas estão cercadas por soja ou milho - as capelas de beira de estradas são marcos da chegada dos desbravadores que derrubaram a mata, iniciaram as cidades e transformaram a região noroeste do Paraná em um dos principais celeiros agrícolas do Brasil.Os templos eram construídos por pessoas que chegavam para ficar na nova terra, enfrentar as dificuldades da região crua e construir cidades para os filhos e netos. Eles extraíam da própria mata derrubada o material para a edificação. A obra geralmente era a primeira atividade que conseguia reunir os desbravadores em um mesmo objetivo.

Mostra da religiosidade que movia o povo da primeira metade do século passado, as capelas estavam entre as primeiras construções de uma nova comunidade, junto com a primeira venda e bem antes da primeira escola.
Na região, as capelas mais importantes foram construídas nas estradas que ligavam o polo principal da cidade, o Maringá Velho, às grandes fazendas de café.
O mundo mudou, os sitiantes e lavradores foram aos poucos procurando o conforto e as oportunidades dos centros urbanos, as vendonas das estradas fecharam e as escolinhas se acabaram depois que os cafezais foram substituídos por culturas rotativas, que empregam pouca mão de obra.
Comunidades fortes como Venda 200, Santo Maneta, Sapata e Guaiapó, que chegaram a ter até 2 mil moradores, encolheram ou não existem mais - de algumas não sobraram nem ruínas. Mas as igrejas continuam lá, muitas tão vistosas e conservadas quando na época em que foram construídas, há mais de 60 anos.
"As igrejas continuam porque ninguém tem coragem de derrubar um local tido como santo", diz João Batista Marchiori, que há mais de 70 anos mora em um sítio próximo à PR-444, onde viu "nascer", ajudou a reformar e cuidou por décadas de uma capela vizinha à propriedade da família.
Segundo ele, essas capelinhas contam a história do povo de um lugar, pois foi nelas que foram batizados e crismados os primeiros filhos de uma região, onde foram celebrados casamentos de pessoas que hoje já são avós e velórios de pioneiros que chegaram para fundar cidades.
"As obras precisam ser conservadas, pois são o marco do período em que a região nasceu", enfatiza o agricultor Pedro Sapata, que tem dentro da propriedade a capela que marcou o início da localidade de Ivatuba, transformada em cidade nos anos 50. Sapata diz que a capelinha de estilo português é a mais viva ligação de um período em que viu a família ajudando a criar uma cidade.

A Capela Nossa Senhora de Fátima, às margens da PR-551, é portuguesa, com certeza. Ela foi construída pela família Sapata, vinda de Portugal. A imagem da santa veio do Santuário de Fátima, e até os sobreiros, avinheiras e outras plantas do pátio têm origem no além-mar.
Apesar da origem, o templo serviu de morada espiritual para brasileiros de todos os cantos do País e estrangeiros que ajudaram a colonizar o norte e noroeste do Paraná nos anos 40 e 50. Foi em torno dela que nasceram e que viveram os primeiros moradores de Ivatuba.

"Antes as pessoas se reuniam para rezar nos armazéns, nos terreirões das fazendas. Aí meu pai e minha mãe – José Pereira Sapata e Maria Rodrigues – decidiram construir a igreja", lembra o filho do casal, Pedro, que aos 66 anos ainda vive próximo à capela.
"Quando a cafeicultura fraquejou, as centenas de famílias que trabalhavam nas fazendas foram embora, Ivatuba cresceu e nossa comunidade desapareceu", diz Pedro.
A Capela da Sapata – é assim que ela é chamada – já recebeu até a visita o arcebispo dom Anuar Battisti, mas há 4 anos não é aberta para uma missa.


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